Museu do Carnaval

 

O Museu de Carnaval da Ilha Terceira “Hélio Costa” situa-se na Vila das Lajes, concelho da Praia da Vitória, Ilha Terceira Açores. Foi inaugurado a 4 de setembro de 2005.
Está instalado numa Casa Típica do Ramo Grande.
Este dedica-se a uma das maiores manifestações culturais da ilha Terceira – o Carnaval. No seu acervo possui o espólio de Augusto Gomes, José Orlando Bretão e Hélio Costa.
No momento presente encontra-se em AMPLIAÇÃO E REABILITAÇÃO.
Um projeto apoiado pela GRATER no valor de € 59.385,13 (cinquenta e nove mil trezentos e oitenta e cinco euros e treze cêntimos), acrescido do IVA à taxa legal em vigor (4%).
Uma empreitada adjudicada à firma ABEL MARTINS NOGUEIRA, FILHOS & Cª., LDª.

Carnaval da ilha Terceira


O Carnaval ou Entrudo, designação comumente aceite entre a população, ocupa um lugar central no calendário das festividades populares da ilha Terceira, revelando aspetos únicos no que concerne às características que esta manifestação popular apresenta.
As danças de Carnaval da ilha Terceira são descendentes diretas, no que concerne à sua forma, das danças que ao longo de vários séculos se apresentaram nestas ilhas, em várias ocasiões festivas, derivando de manifestações processionais ou de cortejo de cariz religioso ou militar, com uma formação em alas e uma movimentação com dança e canto.
À dança e ao canto se associou a representação teatral que consubstancia a sua génese no teatro vicentino, pela sátira, pela própria produção textual assente no uso do verso e da rima, mas também pela expressão cómica ou dramática que ao ato cénico se pretende imprimir. É, portanto, “(…) uma espécie cultural híbrida que articula a dança com uma forma dramática, sem dúvida evoluída a partir dos autos medievais de tradição ibérica” (DUARTE, p. 87).
Os textos que enformam os enredos terão começado a surgir nos finais do séc. XIX (1882), mas a génese e fixação do modelo atual das danças/teatro popular da ilha Terceira remonta às décadas de 20 e 30 do séc. XX, com as tradicionais danças de espada ou de dia, destacando-se autores de enredos como Francisco Luís de Melo, Joaquim Sales, “Farôpa”, Francisco Gonçalves Duarte, Maria Angelina de Sousa, a Turlu, José Gonçalves Martins, “o Tenrinho”, Francisco Gonçalves Nunes, o chico da Vila, Manuel Coelho Quitério e Manuel Coelho Simões, da Agualva, entre outros.

Mais tarde, por volta dos anos sessenta do séc. XX, surgem as danças da noite ou de pandeiro, os bailinhos e as comédias, que granjeiam a simpatia geral dos terceirenses, devido ao seu ritmo ligeiro, à sátira, à comédia e ao facto de corporizarem o espírito carnavalesco, expoente e libertação das maiores ousadias individuais e coletivas, que antecipam a época quaresmal. Inicialmente os primeiros intérpretes eram apenas homens ou rapazes, cabendo aos mais novos a interpretação dos papéis de mulheres, que eram assumidos sem qualquer tipo de complexos ou distrações.

Na evolução histórica destas manifestações teatrais e musicais, agora denominadas danças e bailinhos de Carnaval da ilha Terceira, os factores socioeconómicos e culturais são determinantes na demonstração das características do vestuário/indumentária que percorre a simplicidade da simples camisa branca com faixa colorida e calça preta ou branca, até às mais elaboradas vestimentas revestidas de ricos acessórios. Musicalmente verifica-se uma evolução acentuada quer no ritmo, quer no tipo de instrumentos utilizados, que perpassam inicialmente pela utilização apenas da viola, violão, violino e bandolim, até à introdução de outros instrumentos mais arrojados como o acordeão, o trompete ou o saxofone, com uma tendência do aumento da frequência rítmica e uma complexificação dos arranjos e ritmos musicais.

Esta é uma manifestação teatral do povo e para o povo, que atinge a teatralidade plena na representação, na dança, no vestuário, na música e no canto, em todos os salões de espetáculos desta ilha,o que permite que todos se apropriem coletivamente desta manifestação artística, de forma muito espontânea e efusiva, fazendo-a perpetuar entre as várias gerações e tornando-a um marco cultural da ilha Terceira e dos Açores.

BRETÃO, José Noronha, As danças do entrudo uma festa do povo: teatro popular da ilha terceira, 1º vol. Angra do Heroísmo, 1998. DUARTE, Luiz Fagundes, “O Carnaval na ilha Terceira”, in Comunicação & Cultura, nº 10, 2010, pp. 87-100.