Igreja Paroquial

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A par das informações referentes à constituição e ao aumento do grupo de clérigos, também assinalamos diversas notícias sobre a igreja, da invocação de S. Miguel, princípe da milícia angélica, sugestivamente representado de lança na mão e com os pés sobre um dragão, em homenagem à vitória contra a insolência de Lúcifer, que desconsiderada a ordem divina. Todavia, ainda desconhecemos a data de edificação do templo original. Contudo, desde pelo menos 1564, ocupa sempre o mesmo lugar, conhecendo vários restauros, acrescentamentos e beneficiações, consoante as necessidades do crescimento da paróquia e a cadência das calamidades sismo-vulcânicas.

Os anos de 1826 e de 1979 equivalem ao termo de processos de benfeitoria, devidos ao empenhamento do clero e dos fiéis, que concordam na vantagem de melhoria da casa do culto. Neste particular, relevamos naturalmente a intervenção do princípio do século XIX, que corresponde à ampliação da paroquial. No decurso de novecentos, a iniciativa de diversos párocos suscita também a contínua beneficiação do templo e das demais dependências da administração eclesiástica. Assim, o padre Henrique de Sousa Ávila (1920-1924) principia a construção do passal, concluída já no tempo do padre Gregório Rocha (1924-1963), que ainda reformula o corpo da igreja, através da transferência do coro de uma das naves laterais para o fundo do edifício, e procede à aquisição de diversas imagens, nomeadamente de S. Miguel Arcanjo, Santa Teresinha, Nossa Senhora de Fátima Santa Filomena, S. José e S. Pedro. No entanto, é quase nos nossos dias que ressaltam os maiores esforços de renovação e de embelezamento, assumidos desde1963 pelo padre Lino Vieira Fagundes, até passíveis de melhor acompanhamento, pela leitura atenta do boletim paroquial Semeador.

No Verão de 1963, começa um processo de restauro e aformoseamento da paroquial do arcanjo S. Miguel, que deriva da diligência dos pároco e da generosidade dos lajenses. De facto, após um tempo de leccionação no Seminário Maior e um período de permanência na capelania da Base Aérea 4, o padre Lino Vieira Fagundes aceita com entusiasmo e humildade a direcção espiritual da sua paróquia natal, iniciando um apostolado longe e profícuo, durante o qual a beneficiação do templo adquire o carácter de acto de grande visibilidade pública. Ao mesmo tempo, nume espécie de reconhecimento pela dedicação do sacerdote, os paroquianos demonstram uma magnanimidade extrema, indispensável à concretização do projecto de reparação da igreja, numa era em que praticamente se desconhecem os subsídios oficiais ou os patrocínios empresariais.

Volvidos quase dez anos, mais concretamente 1972, algumas acções já indiciam o termo das obras. É certo que no exterior da paroquial diversas vicissitudes impedem o crescimento de uma araucária, que à vista de todos assinalaria para sempre o alindamento do templo. Porém, no interior da igreja, uma lápide de mármore escuro regista para a posteridade a beneficência lajense, que possibilita a restauração das estruturas e a aquisição do relógio, das imagens e das alfaias. No entanto, os consertos, alguns de grande monta, ainda prosseguem por mais oito anos, terminando apenas em Setembro de 1979, precisamente três meses antes do violento sismo de 1 de Janeiro de 1980, que num ápice desfaz um sem-número de canseiras e de expectativas, obrigando ao empreendimento de uma reconstrução profunda.

No vasto rol dos arranjos, a remodelação do adro, o restauro da sacristia e a construção dos novos altares da parte da frente das naves laterais figuram entra as primeiras iniciativas, que logram conclusão logo em 1966. Em redor da igreja, a demolição da velha cerca e a sua substituição por uma escadaria e plataforma em pedra de cantaria desafogam a imagem do templo, que ganha maior evidência no centro da comunidade. Na sacristia, as melhorias derivam de uma multiplicidade de intervenções, donde ressaltam o novo tecto, o revestimento das paredes, a beneficiação do pavimento, a recuperação do mobiliário e o conserto do relógio. No corpo da paroquial, ganha então realce a troca dos acanhados retábulos fronteiros das naves laterais por altares novos, executados pelos entalhadores José Machado Codorniz e Filhos, da Ribeirinha, e posteriormente dourados opor artistas de Braga. Nestas circunstâncias, a edição do Semeador de 16 de Outubro de 1966 faz eco de um artigo do Diário insular, onde se procede ao registo e à exaltação de todas estas benfeitorias, unanimemente elogiadas pelos inúmeros visitantes que então afluem à freguesia, no decurso das tradicionais festividades em honra de Nossa Senhora do Rosário.

O decurso do tempo aumenta o ritmo e a relação dos arranjos. No corpo da igreja, avulta uma profunda intervenção na capela-mor, que inclui a reparação do retábulo barroco do principal altar, a descoberta e o tratamento de uma cercadura de velhas cantarias, a decoração com painéis de azulejos históricos alusivos ao Presépio e ao Calvário e a pintura do tecto, executada pelo artista micaelense António José Correia. Além disso, sucede a recuperação do lustre setecentista da nave central, o tratamento das colunas das naves laterais, a reparação do baptistério e a construção de uma escada de pedra de acesso ao coro. No entanto, o maior problema resulta da impossibilidade, até por razões de segurança. De restauração do estuque do tecto da nave principal. Nestas circunstâncias, projecta-se então a sua remoção, até no intento de pôr a descoberto um antigo tecto de pinho resinoso envernizado, há muito encoberto por um revestimento de duvidosa qualidade.

Os exemplos demonstram a profundidade dos arranjos da paroquial das Lajes. Todavia, entre as intervenções de maior impacto, ainda avultam a construção de uma nova bancada, que possibilita a transferência dos velhos bancos para o centro litúrgico do Cabouco dos Ventos, a aquisição do relógio cimeiro, uma velha aspiração lajense, que constitui um sinal de decoro comunitário, próprio dos centros urbanos, e a raspagem e o tratamento das barras externas de cantaria, que evidenciam a beleza da pedra tradicional da freguesia.

A construção de uma nova bancada é um projecto do início de 1971, movido pela grande dádiva de Mateus Homem da Costa (Meia-Noite), emigrante nos Estados Unidos, de pronto secundada pela generosidade de muitos paroquianos, que oferecem os bancos em falta, á razão de 1400$00 por unidade, e ainda reúnem um suplemento de 2500$00, para a utilização da melhor madeira do Brasil. A execução do empreendimento, a cargo da dinâmica oficina de carpintaria de José Dias Martins, sita á Aldeia Nova, principia no começo de 1973, na expectativa de uma inauguração em 25 de Março, data da visita episcopal á paroquial das Lajes. No entanto, por vicissitudes várias, a estreia ocorre apena no dia de Pascoa, mas corresponde inequivocamente a um grande benefício, que resulta de uma conjugação perfeita entre a beleza da concepção, a qualidade do tabuado e comodidade do assento.

A aquisição do relógio exterior sucede em 1972. Aliás, no mês de Maio, encontra-se já em Lisboa, pelo que se aguarda a sua chegada á Terceira logo em Julho, no intuito de proceder á instalação antes da festa da Nossa Senhora do Carmo, celebrada no domingo mais próximo do dia 16 de Julho, data da comemoração do culto da Virgem. Todavia, o processo de transporte e colocação experimenta algumas delonga, pelo que a inauguração apenas sucede em 12 de Setembro, desta feita nas vésperas das festividades maiores das Lajes, organizadas em honra da Nossa Senhora do Rosário.

A raspagem e o tratamento das barras externas de cantaria começa em 1975 e prossegue até 1977. A iniciativa decorre de vultuosa oferenda de Mário da Rosa Goulart, emigrante nos Estados Unidos, e equivale a última intervenção de grande vulto em todo o conjunto de melhoramentos da paroquial.

A análise dos factos demonstra a diversidade dos arranjos da igreja, que a par das intervenções de maior profundidade contempla também a multiplicidade de pequenas reparações. A comprova-lo, a leitura da edição do Semeador de 4 de Maio de 1968 alude á substituição da cruz externa que encima o templo, fruto de concepção, execução e ofertas de Luís Ferreira das Neves, ferreiro de profissão. No entanto, o processo de restauro ultrapassa o próprio reduto da paroquial. De facto, sucede a reconversão do passal em centro paroquial e fundamental em sede de agrupamento dos escuteiros, até a inauguração da sede própria em 1996. Esta opção abriga à adaptação de uma casa anexa para a residência do pároco, ou melhor dizendo de sucessivos coadjutores, porque o padre Lino Vieira Fagundes habita sempre em residência da família, sita á antiga Rua do Cruzeiro, que hoje ostenta o seu próprio nome.

O controlo administrativo e a supervisão técnica constituem preocupações permanentes, pois avultam por instrumentos indispensáveis á concretização do projecto de restauro da paroquial. Assim, o acompanhamento dos trabalhos determina a constituição de uma comissão local de obras, enquanto que a procura das melhores opções artísticas atende á opinião de um diverso grupo de conselheiros. De facto, em 9 de Julho de 1977, o boletim paroquial regista, em preito de gratidão, os nomes dos membros constituintes da comissão de obras, concretamente Manuel Dinis Pacheco, presidente, Ramiro Meneses, tesoureiro, José Sousa da Silva, secretário e contabilista, José Nunes Valadão, Paulo Ferreira Borges, José Borges Pinheiro, Lourenço Homem de Meneses, José Vicente da Rocha e Januário Cardoso Pires, Além disso, ainda releva a função de Serafim Machado Gomes, sacristão incansável da igreja das Lajes há mais de um quarto de século. Em referencia á execução das principais tarefas, os padres Manuel Coelho de Sousa, José Batista Ferreira e António Ornelas Lima figuram no grupo dos acompanhantes, enquanto que os entalhadores José Machado Codorniz e Filhos, da Ribeirinha, os douradores e os lajenses José Dias Martins, carpinteiro, e António Couto, pedreiro, figuram no corpo dos executadores.

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Em 12 de Abril de 1980, já depois da ruina do templo, causada pela violência do sismo da 1º de Janeiro transacto, o Semeador regista as constas gerais das obras de restauro, ocorridas entre 1963 e 1979, Assim, assinala uma receita de 2204117$40, resultando 1868117$40 de dádivas de particulares, 236000$00 de subsidio do Governo Regional dos Açores e 100000$00do programa norte-americano “People to People”, contra uma despesa de 2157676$40, que faculta um saldo de 46441$00, de pronto entregue á nova comissão encarregada do processo de reconstrução da igreja.

A averiguação destes números demonstra a extrema generosidade lajense, que suporta quase na íntegra a recuperação da paroquial. Aliás, através de um assentamento sistemático, o boletim paroquial arrola os nomes de todos os chefes de família da freguesia, anotando as contribuições dos doadores, nomeadamente as promessas e as entregas, mas também a falta de cooperação dos restantes. Este processo evidencia grande eficácia, embora implique uma pratica de coerção social, que suscita diversas resistências, talvez responsáveis pelo abandono do intento da publicação de um Livro de Ouro, onde o alistamento de todas as oferendas corresponderia a uma espécie de hierarquização da boa-vontade dos fies perante a igreja, insensível ás possibilidades de cada um. Todavia, uma parte substancial de fundos então reunidos prove das comunidades de espalhadas pelos mais diversos recantos do mundo. Com efeito, até na longínqua África do Sul se promove uma subscrição pública em benefícios do restauro do templo, organizada em 1969 por Manuel de Sousa Cardoso (Sevadal), que rende 4713$90. Contudo, a maioria dos donativos procede da América do Norte, concretamente dos Estados Unidos e do Canadá. Entre os principais doadores, sobressaem os emigrados estado-unidenses Mateus Homem da Costa (Meia-Noite), que oferece 20 000$00 no começo de 1971, e Mário Goulart, natural do Faial, por algum tempo residente nas Lajes, que doa 53 400$00 no Verão de 1975. Aliás, na edição de 15 de Março de 1980. O Semeador anuncia a morte de ambos os benfeitores, manifestando um sentimento de profundo agradecimento. A merecer um idêntico realce, distinguem-se os lucros das Chamarritas promovidas no ano de 1971 em East Providence, Rodhe Island, por José Alberto Mendonça, Francisco Madruga, João Carlos Costa e Liberal Costa, que totalizam 42 673$10.

A par das ofertas em dinheiro, muitos outros contributos constituem um valioso auxílio ao projecto de restauro da igreja das Lajes. Logo em 19 de Março de 1967, o Semeador destaca a colaboração dos serviços de infra-estruturas da Base Aérea 4, do esquadrão norte-americano de engenharia, da Mobil Oil Portuguesa e sobretudo a ajuda de muitos operários lajenses, que devotada e graciosamente gastam longos serões nas obras da paroquial.

A violência dos terramotos de 1614, 1801, 1841 e 1980 provoca um rasto de destruição, que também obriga à perseverante reconstrução do templo. No começo do século XVII, o sismo de 1614 arrasa praticamente a vila da Praia e as freguesias limítrofes de Lajes, Fontinhas, Vila Nova e Algualva. Desta vez, o ajuste da reedificação ocorre 14 anos depois, em Dezembro de 1627, contemplando o alargamento do corpo da igreja, que então se divide por cinco naves, e a utilização da matéria-prima, mais adequada, mormente a madeira de cedro do Pico. Depois, na primeira metade da era de oitocentos, a crise sísmica de 1800/01 demanda o conserto da torre, mas os principias estragos derivam do abalo de 1841, que reclama o empreendimento de um novo processo de reedificação. Na altura, as obras da paroquial, que repõem uma divisão por três naves mais espaçosas, beneficiam do discernimento e da audácia do administrador-geral José Silvestre Ribeiro, condutor de uma reconstrução rápida e exemplar nas localidades mais afectadas do concelho da Praia. Por fim, em 1980, o terramoto de 1 de Janeiro danifica gravemente a igreja das Lajes, motivando uma acção de restabelecimento, bem documentada pelas notícias insertas no Semeador.

No dia 1 de Janeiro de 1980, volvidos apenas três meses sobre o termo do restauro da paroquial, o violento sismo que atinge algumas das ilhas do grupo central do arquipélago dos Açores, principalmente a Terceira, causa grande ruína na igreja das Lajes, obrigando ao empreendimento de um novo e dispendioso processo de reconstrução. Entre os principias estragos decorrentes do cataclismo, enumeramos o desmoronamento da torre, que destrói parte do tecto, o aluimento das paredes, desde o nível dos alicerces, e ainda a destruição do gradeamento do coro, de cinco bancos e de diversas imagens. Após implementação de uma campanha de angariação de fundos a obtenção dos apoios oficiais indispensáveis e a constituição do grupo de acompanhamento dos trabalhos, a comunidade lajense inicia decididamente a recuperação da paroquial de S. Miguel Arcanjo. Ainda sob o estímulo do Pe. Lino Vieira Fagundes, já cansado mas nem por isso abatido, a freguesia alcança mais um feito digno de registo, concretamente a primeira reedificação, em toda a ilha Terceira, de um templo danificado pelo terramoto.

A reconstrução da igreja das Lajes principia em 24 de Maio de 1983, após transferência da prática do culto para o salão de festas da Casa do Povo. Aliás, na edição de 18 de Junho, o boletim paroquial noticia o começo dos trabalhos, procedendo simultaneamente ao lançamento de dois apelos: um, movido por motivos de segurança aconselha ao afastamento dos fiéis do recinto do templo; outro, determinado por uma urgência, alude à necessidade de madeira de roseira para a execução dos cabeçalhos dos sinos. O plano de reedificação da paroquial comporta, entretanto, uma realização por duas fases: a primeira a cargo das empresas “ Projectos Técnicos” e “Edimar” e a última da responsabilidade da comissão local de obras. Esta repartição de obrigações não prejudica o andamento dos consertos, que progridem sempre a um ritmo muito intenso. Com efeito, em Fevereiro de 1984, comprova-se a conclusão das intervenções de maior cuidado, concretamente o levantamento da torre e a consolidação e o revestimento das paredes. Por isso, no mês seguinte, a comissão de acompanhamento evidencia regozijo pela rapidez do processo de reconstrução, manifestando o propósito de reabertura do templo no começo de Outubro, por altura da celebração das festas em honra de Nossa Senhora do Rosário. No entanto, a celeridade das reparações excede todas as expectativas. Assim, os empreiteiros procedem à entrega da obra em 8 de Junho de 1984, ocorrendo a inauguração da igreja logo no dia seguinte, em sábado de Pentecostes, véspera do 1º bodo.

O programa da reabertura principia com um acto de homenagem ao Pe. Lourenço Ávila, o principal benfeitor da reconstrução da igreja. Aliás, em preito de gratidão, a Junta de Freguesia grava a acção do sacerdote na toponímia lajense, atribuindo o seu nome ao antigo Caminho de baixo onde nascera, muito antes de uma formação religiosa tardia, que o catapulta para o apostolado em comunidades de emigração açoriana nos Estados Unidos. Depois, ocorre então a bênção do templo, presidias pelo vigário-geral, em representação do bispo da diocese, ausente na Alemanha. Por fim, realiza-se um almoço regional, gentilmente servido pelo mordomo do 1º bodo, Pedro Paulo Espínola, seguido de um lustroso cortejo de carros alegóricos, que propicia a tradição cerimónia de transporte do pão para a Despensa do Império.

A reconstrução da paroquial demanda um avultado dispêndio. Aliás, só a grande contribuição do Governo Regional dos Açores, que assume 50% do total de gastos, e a extrema generosidade dos lajenses, sobretudo dos residentes, mas ainda dos emigrantes, possibilitam a rápida reabertura da igreja. De facto, logo após o cataclismo do 1º de Janeiro de 1980, o pároco procede à organização de uma subscrição pública em benefício da reparação do templo, considerando as exigências financeiras do empreendimento, sem paralelo no precedente processo de embelezamento, por sinal concluído em finais de 1979. Assim, uma comissão composta por elemento das dez zonas em que entretanto se divide a freguesia procede ao arrolamento das famílias, registando o montante dos donativos, que são entregues de imediato aos liquidados às prestações em três anos consecutivos. Ao mesmo tempo, a colaboração da lavoura permite o lançamento de uma campanha de engorda de bezerros, que em Junho de 1980 reúne 51 cabeças de gado. Ainda a par de tudo isto, a criação de uma comissão de festas resulta na promoção, entre 1980 e 1985, de verbenas e espectáculos, que suscitam a arrecadação de uma importante pecúlio. Nos círculos da emigração, o derrubamento do paroquial provoca também uma profunda consternação, que redunda em auxílio á tarefa da reedificação. Com o efeito, de 1980 a 1982, a realização de um ciclo se festividades em Toronto e a acumulação das dádivas dos particulares também rendem uma importância considerável. Porém, na comunidade emigrante, ressalta sobretudo a ajuda do Pe. Lourenço Ávila, a maior entre as doações individuais. Na verdade, de 1980 a \983, o sacerdote emigrado remete a paróquia natal 534509$00, sendo 350000$00 de oferenda pessoal. Neste contexto, só o subsídio da diocese avulta por escasso. Na realidade é de apenas 261950$00, cerca da centésima parte de toda a despesa, realmente um modesto contributo, decerto justificado pela ruina de quase todo o património eclesiástico terceirense, que motiva a multiplicação de vultuosos encargos financeiros.

O Semeador constituído, uma vez mais, o principal repositório de informações sobre o processo de reconstrução da igreja, registando circunstanciadamente a aprovação dos apoios oficiais e a confirmação da generosidade dos lajenses. Alias, a semelhança só sucedido por ocasião da acção de restauro das décadas de 1960 e 1970, em 28 de Julho de 1980, o boletim paroquial inicia, de forma sistemática, a publicação das contribuições familiares para a recuperação do templo. De novo, a manifestação pública dos donativos impele á cooperação, embora constitua sempre um meio de coacção desta vez ligeiramente atenuado pelo registo á frente do nome dos não contribuintes de menção “presentemente não se pode comprometer” porventura verdadeira e talvez resultante de situações pessoais de sinistralidade. Na edição de 22 de Maio de 1982, o periódico lajense faz uma primeira apresentação de contas, que demonstra origem dos principais donativos. Assim, a coluna das receitas totalizadas 4606566$90, sendo 2290307$40 de dádivas dos residentes, 1095369$00 de remassa dos emigrantes, 773379$20 de ganhos da Comissão de Festas, 464441$40 de saldo das obras de restauro concluídas de 1979 e 401069$40 de juros. Ainda antes da reedificação, a despesa é naturalmente diminuta, apenas 526 417$50 investidos na compra de bezerros para engorda e na execução de reparações inadiáveis. Depois, em 7 de Julho de 1984, o jornal assenta as contas finais. O dispêndio ascende aos 23 053 503$00, substancialmente abatido pela comparticipação de 50% do Governo Regional, equivalente a 11 517 751$50, pelo subsídio episcopal de 261 950$00 e por 8 610 000$00 de contributo paroquial. Em dívida, fica o montante de 3 095 801$50, embora de pronto adiantado pela Diocese, que aguarda por uma breve liquidação. Nestas circunstâncias, o pagamento do débito adquire o carácter de prioridade, movendo múltiplos esforços, que resultam na célere satisfação do compromisso. Na verdade, entre outras diligências, o Semeador de 19 de Janeiro de 1985 anuncia a realização de um peditório que rende 1 137 437$50, motivando uma substancial redução do passivo para 154 084$50. No começo de Fevereiro, o encargo cai para apenas 64 086$50 e é definitivamente saldado em 2 de Junho, dia da Santíssima Trindade.

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